deitei no chão do salão de festas. bem no meio do salão. exatamente no meio. meus olhos estavam fechados, mas eu podia ver tudo que eu quisesse naquele momento... aquele momento maluco. quando abri meus olhos que já haviam chorado muito ali, era como se o teto estivesse caindo em cima de mim, bem no meio do salão.
eu podia ouvir meu celular tocar, mas eu sabia quem ligava. e sabia que quanto mais doses dessa pessoa eu tinha, mais fraca eu me sentia. então eu escolhi doses de outra coisa. algo mais transparente do que aquela relação de mentira. algo transparente de verdade.
eu vivo me perguntando, porque eu ainda não fiz uma trouxa de roupas leves e sai andando por ai, conhecendo pessoas novas e vivendo experiências que o dinheiro não compra. "talvez ainda exista muita coisa me prendendo", eu penso. mas a verdade é que eu me prendo à elas, e sei que posso me libertar na hora que eu quiser. se eu escolher ficar, é porque sei que preciso de todas aquelas coisas, é porque elas me fazem bem ou então eu sou masoquista. mas, desde quando eu ser masoquista é novidade para mim?
o celular continuava tocando.
era como se aquilo fosse um pedido de decisão. "atenda, e prenda-se cada vez mais. sufoque a si mesma com o veneno que é precisar de algo."
muitas vezes eu quis partir, muitas vezes eu quis sumir e em outras eu só queria ficar para sempre. não posso nenhuma, não consigo nenhuma e nesse momento da minha vida, eu não quero nenhuma. só me resta achar um rumo mais disposto a me levar. porque eu nunca me diverti de verdade, quando eu já sabia o que ia acontecer. afinal, saber o final nunca esteve na minha lista de coisas preferidas.
- Alô?
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